Astrobiologia – Há vida lá fora?

GaioAstrobiologia será um dos temas de palestra no II Mini-Circuito de Astronomia “Descobrindo o céu de Cuiabá”, que acontece no próximo dia 8, aniversário da Capital e Dia Mundial da Astronomia. Confira artigo do professor Denilton Gaio que vai proferir palestra sobre o assunto no evento. As vagas são limitadas e as inscrições podem ser feitas AQUI.

Crédito Foto: Luci Mary Dias Rosal

*Por Denilton Gaio

Aristóteles acreditava que o mundo acima da Lua era, sob o ponto de vista da física, bem diferente do mundo sublunar. Essa crença era tão forte na Idade Média, que, quando Newton, há uns 350 anos, publicou suas leis, fez questão de chamar “Lei da Gravitação Universal”, para marcar que a Física é a mesma em todo o Universo.

Quando em 1868, Pierre Janssen e Norman Lockyer analisaram, por espectroscopia, uma técnica recém-descoberta à época a luz proveniente do Sol, pensaram que existia lá um gás que não havia aqui na Terra. Deram a este gás o nome de Hélio, em homenagem ao Deus que em sua carruagem, cruzava o céu iluminando a Terra. Será que a Física seria Universal, mas a Química, não? O Hélio foi, trinta anos depois, observado na Terra, nos gases de decaimento de Urânio.

Será que a Biologia é também Universal? Esse é um tema da Astrobiologia, que é o estudo da origem, evolução, distribuição e o futuro da vida no Universo, inclusive na Terra. Nós não sabemos se a vida é um privilégio de nosso planeta ou se há em muitos locais do Cosmo. Na verdade, nem sabemos definir o que é vida. Sabemos que os organismos vivos, o que inclui os animais, as plantas, os fungos e as bactérias, são constituídos pelos mesmos elementos químicos de que são feitos os oceanos, as rochas e as estrelas. Contudo, os organismos vivos distinguem-se dos organismos não vivos porque apresentam algumas características em comum, como por exemplo: são constituídos por células, todos nascem, crescem, reproduzem-se e por fim morrem.

Desde a década de 1970, que os seres humanos procuram por vizinhos. Procuramos por seres parecidos com a gente. Não, não com pernas, narizes e orelhas. Mas, com carbono, Oxigênio Nitrogênio e Hidrogênio. O impressionante que esses são os elementos mais abundantes do Universo e, talvez por isso, são os elementos mais abundantes em nós. Além disso, o carbono é o elemento mais versátil da tabela periódica. Tem tanta molécula que ele participa que dá um trabalho danado para estudar todas as funções orgânicas, como são chamadas as moléculas que tem carbono. Então, quando um cientista olha para cima, ele procura por evidências de seres com essa composição.

Se forem parecidos com as plantas (e devem ser no sentido de utilizarem a energia de uma estrela), então deve ter uma atmosfera de oxigênio no entorno desse planeta, além de água, é claro, que é o meio mais adequado para se processarem reações bioquímicas.

Em fevereiro deste ano, cientistas anunciaram a descoberta de sete planetas em torno de uma estrela próxima em escala cósmica (39 anos-luz daqui): chamada de Trappist 1. Três planetas são muito parecidos com a Terra: estão em uma distância da estrela que permite ter água líquida. Mas será que a vida pode surgir em um pequeno planeta em torno de uma estrela anã vermelha superfria. Se fosse em uma anã amarela tinha mais chances? O que precisa existir em um planeta para que surja a vida? Aqui na Terra, a vida surgiu há aproximadamente 4 bilhões de anos. Trappist 1 só 500 milhões de anos. Será que é suficiente para criar vida e se tem vida, em que estágio está?

Não sabemos exatamente como um grupo de moléculas complexas adquiriu a capacidade de se replicar; de produzir diversidade e de produzir seres capazes de fazerem essas perguntas e outras: como serão os seres de outros planetas? Serão inteligentes? Será que um dia encontraremos outras civilizações? Assistiremos um jogo de footbool Terra X Trappist 1? Bem, nisso acho que seremos campeões da Galáxia, a não ser que os Trappistianos tenham doze pés para chutar para o gol.

*Denilton Gaio é Bacharel em Física pela Universidade Federal do Paraná (1989); Mestre em Física pela Universidade Federal do Paraná (1991) e Doutor em Física Ambiental pela Universidade Federal de Mato Grosso (2011). Atualmente é professor Adjunto da Universidade Federal de Mato Grosso e pesquisador do Grupo de Pesquisa em Física Ambiental da UFMT.

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